Ana Rüsche -Brazil-


Ana Rüsche TAPFNY2017

O Grande Plugue

À nossa geração nunca nos foi permitido ver o mar pela primeira vez. Ele sempre esteve adentro, reluzente, o grande igual que nós mesmos

Rogamos tanto às noites que se faça novamente o escuro mas quando as preces são atendidas é só uma ilusão dos trouxas, uma ardentia nos olhos e o mar esbraveja aqui dentro, monstro comedor de rocha

Já nascemos umas baleias mórbidas pobres diabas afogadas neste papel de luz E é tão mesquinho de pequeno o desejo

A gente só queria ver o maldito mar por favor, pela primeira vez.


The Great Plug

Our generation was never allowed to see the ocean for the first time. It has always been within, sparkling, the great same as us all

We pleaded much with the nights for a new making of darkness but when prayers are heard it’s just an illusion of idiots, a burnishing of the eyes and the ocean jerks inside, monster that feeds on rocks

We were born already morbid whales poor devils drowned in this illuminated role And it is such a teeny miser, this desire

We just wanted to see the goddamned ocean please, for the first time.

Translated by Maíra Mendes Galvão